{"id":17043,"date":"2017-01-24T09:01:07","date_gmt":"2017-01-24T09:01:07","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=17043"},"modified":"2017-01-24T09:01:07","modified_gmt":"2017-01-24T09:01:07","slug":"viver-na-era-da-pos-verdade-artigo-de-dom-murilo-krieger-scj","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/viver-na-era-da-pos-verdade-artigo-de-dom-murilo-krieger-scj\/","title":{"rendered":"Viver na era da p\u00f3s-verdade \u2013 artigo de Dom. Murilo Krieger, scj"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Anualmente, a Universidade de Oxford elege uma palavra que defina aquele ano. No final de 2016, o termo escolhido foi \u201cp\u00f3s-verdade\u201d (\u201cpost-truth\u201d), empregado j\u00e1 em 1992 pelo dramaturgo s\u00e9rvio-americano Steve Tesich. Nem o Aur\u00e9lio, o Houaiss ou o Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, registra essa palavra. Por ela procuram-se definir circunst\u00e2ncias nas quais os fatos objetivos t\u00eam pouca import\u00e2ncia. O que vale s\u00e3o os apelos \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e a cren\u00e7as pessoais. A verdade como tal estaria, pois, perdendo sua import\u00e2ncia; o fato torna-se secund\u00e1rio; importante s\u00e3o as rea\u00e7\u00f5es \u2013 isto \u00e9, como o fato \u00e9 recebido e que emo\u00e7\u00f5es ele desperta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 grave uma situa\u00e7\u00e3o em que se deixa de levar em conta a distin\u00e7\u00e3o entre o certo e o errado, o bom e o mau, o justo e injusto, os fatos e as vers\u00f5es, a verdade e a mentira. Entra-se, ent\u00e3o, numa era em que predominam as avalia\u00e7\u00f5es fluidas, as terminologias vagas ou os ju\u00edzos baseados mais em sensa\u00e7\u00f5es do que em evid\u00eancias. Passa a ser verdade aquilo de que gostamos, que escolhemos e difundimos, torcendo para que tenha a maior repercuss\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que muito contribui para o avan\u00e7o daquilo que a palavra \u201cp\u00f3s-verdade\u201d representa s\u00e3o as novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Tudo \u00e9 imediatamente transmitido, repartido e globalizado. N\u00e3o h\u00e1 mais tempo para se checar se o que recebemos \u00e9 verdadeiro; o importante \u00e9 que seja o quanto antes partilhado e multiplicado. Mentiras s\u00e3o constru\u00eddas de forma sofisticada, com ares de verdade, e s\u00e3o difundidas por um ex\u00e9rcito de simpatizantes. Com isso, o bom nome de muitos \u00e9 destru\u00eddo de forma r\u00e1pida e cruel \u2013 pior, a difama\u00e7\u00e3o \u00e9 envolvida por um \u00f3dio que assusta. Voltaire entendia disso: \u201cMenti, menti, que alguma coisa permanecer\u00e1!\u201d. Goebbels, chefe da propaganda nazista, dizia algo semelhante: \u201cUma mentira repetida mil vezes vira verdade\u201d. N\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m que as redes sociais s\u00e3o um campo aberto e f\u00e9rtil para a difus\u00e3o de hist\u00f3rias e \u201cfatos\u201d que n\u00e3o precisam ser comprovados; basta que sejam bem apresentados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tendo ouvido Jesus lhe afirmar \u201cEu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade; todo aquele que \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u201d (Jo 18,37-38), Pilatos lhe perguntou: \u201cO que \u00e9 a verdade?\u201d. Mas o governador romano n\u00e3o estava interessado na resposta; tanto assim que, feita a pergunta, afastou-se. Venceu a mentira e um inocente foi condenado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pode-se aplicar \u00e0 palavra \u201cverdade\u201d o que Cec\u00edlia Meireles aplica \u00e0 palavra \u201cliberdade\u201d: \u201cn\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que a explique e ningu\u00e9m que n\u00e3o a entenda\u201d. O mundo precisa de pessoas que sejam verdadeiras no agir e no falar \u2013 inclusive, e principalmente, no uso das redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autor:Dom Murilo S.R. Krieger, scj<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arcebispo de S\u00e3o Salvador da Bahia e Primaz do Brasil<\/p>\n<p>CNBBNE3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anualmente, a Universidade de Oxford elege uma palavra que defina aquele ano. No final de 2016, o termo escolhido foi \u201cp\u00f3s-verdade\u201d (\u201cpost-truth\u201d), empregado j\u00e1 em 1992 pelo dramaturgo s\u00e9rvio-americano Steve Tesich. Nem o Aur\u00e9lio, o Houaiss ou o Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, registra essa palavra. 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