{"id":15891,"date":"2017-01-13T09:09:43","date_gmt":"2017-01-13T09:09:43","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=15891"},"modified":"2017-01-20T19:41:49","modified_gmt":"2017-01-20T19:41:49","slug":"frear-as-banalizacoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/frear-as-banalizacoes\/","title":{"rendered":"Frear as banaliza\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>A progressiva banaliza\u00e7\u00e3o do mal revela uma exig\u00eancia: o confronto dos processos que deterioram o n\u00facleo human\u00edstico essencial de cada pessoa, rec\u00f4ndito sacrossanto da consci\u00eancia que conduz atitudes e escolhas nos trilhos do bem e da justi\u00e7a.\u00a0\u00a0 Sem a supera\u00e7\u00e3o do sentimento de que o mal \u00e9 algo natural, n\u00e3o se conquistar\u00e1 a paz. Essas banaliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma sucursal do inferno, aprisionando a humanidade. Gradativamente, perde-se a sensibilidade fundamental que capacita, motiva e impulsiona o cora\u00e7\u00e3o para o perd\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o. Consequentemente, prevalece a incapacidade para a conviv\u00eancia fraterna e pac\u00edfica. Multiplicam-se os cen\u00e1rios aterrorizantes dos atentados, das chacinas e de outras diversas viol\u00eancias que, al\u00e9m dos preju\u00edzos nefastos e das perdas irrevers\u00edveis, v\u00e3o adoecendo consci\u00eancias, deturpando entendimentos e formatando &#8211; com v\u00edcios &#8211; as escolhas. Ficam comprometidas as condutas, pois \u00e9 banido o sentido que se conquista na experi\u00eancia convincente de que \u00e9 bom ser bom. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><em>A rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0s banaliza\u00e7\u00f5es do mal deve nascer de uma articulada e contempor\u00e2nea retomada do compromisso de se investir na forma\u00e7\u00e3o moral. Obviamente, isso n\u00e3o pode ser um posicionamento reacion\u00e1rio marcado por rigidez e intoler\u00e2ncias. Em vez disso, \u00e9 um enfrentamento dos descompassos que inviabilizam a conviv\u00eancia solid\u00e1ria, aumentam a indiferen\u00e7a, levando-a a um patamar que produz brutalidades, estampadas em chacinas como as ocorridas em pres\u00eddios, nos homic\u00eddios registrados nas cidades, atentados contra a vida em muitos outros lugares. Esses crimes ocorrem de modo fragmentado, disperso, mas, se somados, evidenciam n\u00fameros de uma sociedade em guerra. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><em>A moralidade tem for\u00e7a para frear as banaliza\u00e7\u00f5es agravadas ainda mais pela influ\u00eancia das tecnologias sobre o comportamento humano. De um lado, s\u00e3o verificados avan\u00e7os fant\u00e1sticos no universo tecnol\u00f3gico, mas, por outro, surgem verdadeiras \u201carmas de destrui\u00e7\u00e3o\u201d, quando as rela\u00e7\u00f5es presenciais s\u00e3o substitu\u00eddas por \u201ccontatos virtuais\u201d. Um contexto preocupante em que, muitas vezes, as intera\u00e7\u00f5es renunciam ao mais elementar sentido de respeito pelo outro e pelas singularidades. Eis um dos nascedouros da banaliza\u00e7\u00e3o do mal que, nessas situa\u00e7\u00f5es, se revela na aus\u00eancia do sentido de igualdade, do apre\u00e7o pelo outro. As consequ\u00eancias s\u00e3o a pervers\u00e3o do deboche e da manipula\u00e7\u00e3o das pessoas, desconsiderando a sacralidade de todos. Trata-se o outro como descart\u00e1vel, compreendendo-o como simples instrumento para se alcan\u00e7ar certos objetivos pessoais. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 alian\u00e7as e v\u00ednculos duradouros, necess\u00e1rios alicerces para uma vida qualificada e verdadeiramente humana.\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><em>Os investimentos na ordem moral devem incidir na esfera individual, com o balizamento do n\u00facleo familiar, c\u00e9lula da sociedade, e com o empenho das mais diferentes institui\u00e7\u00f5es e segmentos, todos comprometidos com um funcionamento eticamente exemplar.\u00a0H\u00e1 um terr\u00edvel dilaceramento do tecido moral que precisa ser recuperado. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a partir da redescoberta dos valores que promovem o altru\u00edsmo. Assim, as escolhas n\u00e3o ser\u00e3o somente orientadas pelos crit\u00e9rios do lucro, das vantagens e das comodidades, mas regidas pelo compromisso de se fazer o bem. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><em>Essa rea\u00e7\u00e3o exige que todos reconhe\u00e7am um preocupante fen\u00f4meno, consequ\u00eancia da banaliza\u00e7\u00e3o do mal: a perda do sentido de gratid\u00e3o e da compet\u00eancia para a generosidade. As portas, assim, escancaram-se, cada vez mais, para todo tipo de viol\u00eancia. Nada tem sentido de sagrado, tudo \u00e9 vulner\u00e1vel e descart\u00e1vel. \u00a0O ser humano passa a se habituar a tudo o que deveria ser condenado. Banalizam-se as chamadas \u201cpequenas mentiras\u201d, os enganos que sordidamente s\u00e3o produzidos para manipular pessoas e esconder esquemas de corrup\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><em>Importante \u00e9 reconhecer que as viol\u00eancias alimentam essas situa\u00e7\u00f5es, que, por sua vez, fomentam as viol\u00eancias. Para superar essa perversa din\u00e2mica, \u00e9 preciso acolher a orienta\u00e7\u00e3o de Jesus, que tamb\u00e9m viveu tempos de viol\u00eancia. O Mestre ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a viol\u00eancia e a paz, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o humano. Nesse sentido, o Papa Francisco pede a cada pessoa, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz: comprometamo-nos, por meio da ora\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus cora\u00e7\u00f5es, palavras e gestos a viol\u00eancia, e a construir comunidades n\u00e3o violentas, que cuidem da \u201ccasa comum\u201d. O estilo adotado de se viver pautado pela n\u00e3o viol\u00eancia depende que cada pessoa seja um \u201ccora\u00e7\u00e3o da paz\u201d. Nobre e pertinente, interpelante e indicativa \u00e9 tamb\u00e9m a palavra do Papa em\u00e9rito Bento XVI, ao dizer que a n\u00e3o viol\u00eancia para os crist\u00e3os n\u00e3o \u00e9 mero comportamento t\u00e1tico, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem est\u00e1 t\u00e3o convicto do amor de Deus e de seu poder que n\u00e3o tem medo de enfrentar o mal com as armas do amor e da verdade. Assumir esse modo de ser: a\u00ed est\u00e1 o caminho \u00fanico para a moraliza\u00e7\u00e3o capaz de frear as banaliza\u00e7\u00f5es do mal que deterioram a humanidade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foto:Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><em>Autor: Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Samir Jared<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A progressiva banaliza\u00e7\u00e3o do mal revela uma exig\u00eancia: o confronto dos processos que deterioram o n\u00facleo human\u00edstico essencial de cada pessoa, rec\u00f4ndito sacrossanto da consci\u00eancia que conduz atitudes e escolhas nos trilhos do bem e da justi\u00e7a.\u00a0\u00a0 Sem a supera\u00e7\u00e3o do sentimento de que o mal \u00e9 algo natural, n\u00e3o se conquistar\u00e1 a paz. 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